segunda-feira, 26 de novembro de 2012

A importância das taças ao beber vinho

Descubra as influências das taças na degustação dos vinhos


Quando falamos de vinhos é imprescindível falar de taças, é isso mesmo! Você sabia que as taças são muito importantes na degustação de vinhos? Bebê-lo num recipiente grosseiro de vidro e sem os requisitos necessários seria um grande desperdício. Pense num concerto de música: se um dos instrumentos estiver desafinado, a música inteira será desafinada, pois elas têm uma grande influência no sabor final e são responsáveis pela liberação dos aromas, parte fundamental numa degustação.

Alguns cuidados muito simples podem fazer uma grande diferença no resultado final e aumentar muito o prazer da experiência. Para começar certifique-se de que o vinho esteja na temperatura ideal, e em seguida concentre-se nas taças que devem ser transparentes e possibilitar a visão do vinho em seu interior, afinal a degustação começa pela análise visual. Outra coisa importante: deve ter uma haste longa por onde será segurada. Procure materiais finos como o cristal, que tem um toque delicado ao contato com os lábios, para valorizar ainda mais seu prazer. Mais um detalhe, nunca encha a taça, o ideal é servir um terço com a bebida, assim pode-se girar a taça com mais segurança e sentir melhor os aromas que serão liberados.

Cada tipo de vinho demanda um tipo de taça, mais bojuda ou menos, boca mais aberta ou um pouco mais afunilada. Estes detalhes colaboram e melhoram em muito nossa experiência sensorial, tanto na liberação de aromas quanto também em relação ao modo como elas ajudam o vinho a cair em nossa cavidade bucal, valorizando e ampliando todas as sensações.
As grandes empresas produtoras de taças criam linhas para cada tipo de vinho, como por exemplo: para Bordeaux, Bourgogne, Champagne (chama-se Flûte) e tem um formato alongado e fino que ajuda a preservar o gás carbônico do espumante e o perlage (bolinhas) por mais tempo. Eu sei parece confuso demais, mas acredite até mesmo os experts se confundem ás vezes. 

Para as degustações profissionais, foi desenvolvido um modelo especial a Taça ISO (Internacional Standard Organization) ou INAO (Institut National des Appelations d’Origine), ela é uma espécie de curinga e serve para todos os tipos de vinho, muito utilizada em concursos e em eventos quando estão buscando manter uma referência entre os mais diversos tipos.
Nos anos 50, um produtor de cristais, o austríaco Claus Josef Riedel,  depois de muitas experiências comprovou que o tamanho, material e formato das taças tinham uma influência significativa na percepção das qualidades sensoriais do vinho e tornou-se uma grande referência mundial. Algumas das taças que sua empresa produz chegam a custar R$ 300,00 cada. Depois dele, empresas como a Spiegelau e Strauss, entre outras, também começaram a produzir produtos com tecnologia específica para melhorar as degustações.

Não perca mais tempo e escolha a sua taça.

 Cheers!



segunda-feira, 19 de novembro de 2012

A loja de vinhos virou bistrô



Mesas entre prateleiras no bistrô: vinhos a preço de importadora.
    E curso em setembro, para iniciantes./Fotos: Tadeu Brunelli/Divulgação



A casa surgiu como uma importadora de vinhos, passou a servir comidinhas, para acompanhar a degustação das garrafas abertas ali. O nome era Le Tire-Bouchon. Este ano, tudo mudou. Agora se chama La Régalade Bistrô e Empório e  serve almoço e jantar de altíssima qualidade a preços justos.

O responsável pela cozinha é Lindomar Bezerra, que iniciou a carreira como ajudante no La Cocagne, passando depois pelo Cantaloup e Le Poème Bistrô. O cardápio mistura receitas das culinárias francesa, italiana e brasileira.

Para começar, escolha a entrada: quiche de alho-poró com salada verde (R$ 19); polvo grelhado servido com panzanella (pão, tomate e anchova) e feijão branco (R$ 34); e, entre outras, gateau de abobrinha (R$ 22) – lâminas de abobrinha com queijo brie, azeite de ervas e salada verde.
No prato principal, pode ir bem confit de canard (R$ 58), sobrecoxa de pato cozido na sua gordura, com ragu de feijão branco, linguiça curada     e ervilha torta, ou guisado de coelho (R$ 42), no qual o coelho é marinado ao vinho branco por 24h depois guisado nos legumes, servido com purê de batata.

No menu infantil há cubos de frango grelhado com spaghetti alho e óleo (R$ 25) e estrogonofe (R$ 32), entre outros.

Para sobremesa, as crianças (os adultos também) vão adorar o brigadeiro de colher (R$ 9). Há ainda creme brulê de doce de leite (R$ 19); petit gateau de limão siciliano (R$ 22); sorvetes La Basque de 140 ml (R$ 7) e café gourmet (R$ 24), com café expresso Santa Mônica e três mini sobremesas.

Todos os sábados é servido o cassoulet, a feijoada francesa, que leva feijão branco, pato, cordeiro, costelinha defumada, acompanhada de salada verde e arroz. Custa R$ 58 por pessoa. Executivo a R$ 34.

Quem mora ou trabalha na região de Santa Cecília pode aproveitar o menu executivo, servido na hora do almoço (das 12h às 15h) de terça a sexta. Custa R$ 34 por pessoa e inclui entrada, prato principal e sobremesa. Todos os dias, ao longo de cinco semanas, há opções diferentes, incluindo um prato de carne e outro de peixe. Um dia você come cuscuz marroquino com  salada verde na entrada, escalope de filé mignon com purê de mandioquinha e creme brulê de sobremesa. No outro, Saint Pierre para principal e abacaxi.

No salão com 80 lugares, as mesas são civilizadamente distantes umas das outras, para preservar a privacidade dos comensais. Há Wi-fi gratuito. E o clima é de bistrô francês, tanto que permite, como na França, a entrada de cães e gatos. E nada de fumaça na comida, pois não possui área para fumantes.

Vinhos

A cultura do vinho é preciosa ali, já que a proprietária, Nina Bastos, há 30 anos se dedica ao assunto. As garrafas são vendidas, para consumo à mesa, pelo preço da loja, igual ao da importadora. Você pode pedir opinião aos someliês ou escolher na na prateleira. Até o fim deste mês, pais e filhos que jantarem juntos no La Regalade ganham 50% de desconto na garrafa de 750 ml. Se você preferir levar seu próprio vinho, a rolha sai por R$ 30.

Em setembro a casa sedia um curso sobre vinhos em três módulos, ministrado  aos sábados. Custará R$ 380. "É destinado a quem quer aprender melhor como degustar um bom vinho, da importância da geografia às boas harmonizações", explica Nina.

La Regalade. Rua Barão de Tatuí, 285. Santa Cecília. Tel.: 3660-4510. www.laregalade.com.br


Texto: Diário do Comércio

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Degustação da Revista Prazeres da Mesa

Na quinta-feira, dia 8 de novembro, Daniella Romano e o Grupo Ver o Vinho participaram da degustação da Revista Prazeres da Mesa, no Senac Santo Amaro. A degustação  foi sobre a África do Sul e seus vinhos e orientação foi do especialista Carlos Cabral, do Pão de Açúcar.

Vejam como foi a degustação:






segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Saiba mais sobre as rolhas


                                                        Site: consumo com atitude

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Do sul da França, caráter


Google Imagens


Durante muito tempo, o sul da França ficou conhecido por seu Vin de Pays d'Oc, vinho de denominação regional, confiável e prazeroso, mesmo sendo simples.

A região é um verdadeiro Eldorado vinícola. No Rhône meridional há várias AOC (Appellation d'Origine Controlée), onde encontramos brancos e tintos de caráter jovem e fresco de vinhedos mais altos, como Côtes du Luberon, Côtes du Ventoux e Côteaux du Tricastin.

Na zona do Languedoc, solos xistosos se entremeiam com calcários e arenitos, dando uma paleta incrível de "terroirs" - alguns costeiros e calorosos, alguns sobre as montanhas, mais frescos. Todas as uvas mediterrâneas são usadas (mourvèdre, syrah, grenache e carignan, entre outras), mas a porcentagem de syrah aumenta.

Languedoc produz tintos firmes e produtores independentes se aglomeram na região. Em Faugères, sobre puro xisto, há vinhos firmes, densos e terrosos.

Os vinhos das AOC St-Chinian, dos xistos, ao norte, é exuberantemente frutado, mais denso e longevo nos vinhedos da faixa calcária ao sul.

Em Minervois o arenito domina, e seus vinhos são cada vez mais sérios. Corbières tem vários microclimas e grande potencial para vinhos ricos, carregados de calor e apimentados.
A AOC Fitou, a mais antiga, de 1948, é beneficiada pelas expressões da uva grenache na parte mais montanhosa e da syrah com mourvèdre no lado marítimo.

Os vinhos são para quem tem um espírito Indiana Jones. A recompensa é enorme. São cheios de calor, aromas de ervas, toques vermutados e costumam ter ótimos preços.
J.L Colombo La Violette Viogner (Vin de Pays d'Oc)
Aroma de erva-doce e mel. Boa estrutura, mas simples

Vignerons du Mont Ventoux 2010 (Côtes du Ventoux)
Aroma de toffee e fruta cozida. Taninos firmes, mas leve, bom para comida

Ch. Du Donjon G.Tradition 2010 (Minervois)
Perfumadíssimo. Licor de jaboticaba e incenso. Frutado, rico, final lembra café

Domaine du Ministre 2006 (St.Chinian)
Ameixa preta, tabaco, flor, anis. Bem encorpado, vigoroso

Por Alexandra Corvo

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Côt ou Malbec?


Malbec


Nenhum dos dois...ou os dois. Tanto faz, são dois nomes da mesma uva. Quando pergunto para meus alunos aqui na escola de onde vem a malbec eles não hesitam: Argentina.
Mas a história é bem outra.

A uva tem origem no sudoeste da França. Até a crise da filoxera (pulgão que dizimou vinhedos no mundo todo no final do século 19) chegar na região de Bordeaux, a malbec representava maior parte do vinhedo plantado.
Com o replantio, adaptou-se mal aos porta-enxertos da época e foi substituída na liderança pela Merlot.

Hoje, na França, aparece em corte em várias denominações do sudoeste, mas sua expressão mais interessante é em Cahors, onde seu uso é obrigatório em 70% dos vinhos.
Ali também é conhecida como auxerrois.

É capaz de gerar aromas de pimenta-do-reino, couro, frutas pretas e, nos melhores casos, flores secas. Em boca, são vinhos muito densos com uma estrutura de taninos mais marcados e firmes.

Bem diferente de sua terra de adoção contemporânea, a Argentina.
Aqui, no país vizinho, os vinhos feitos com a malbec são muito exuberantes, com notas de frutas vermelhas em geleia, violeta e notas achocolatadas. Costumam ter bom corpo, mas com taninos menos evidentes. São vinhos mais cremosos.

O que explica a identificação da malbec com a Argentina é que seu nome aparece no rótulo, evidenciando-a como principal elemento de sabor. Na França isso é incomum.
A filosofia é que a origem do vinho é que lhe dá o caráter e não apenas a uva. Diz-se: você não está tomando um malbec, está tomando um Cahors.

Vale a pena prová-los comparando para ver como a uva não é tão determinante, já que muda radicalmente quando se muda de ambiente. Nenhum é melhor. São apenas diferentes.
Luigi Bosca DOC Malbec 2009
Geleia de jaboticaba e chocolate. Boca cheia, ampla e macia

Château Pineraie 2008
Notas de vermute, folhas secas. Bem tânico e perfumado

Caitec Malbec 2009
Simples, com notas de cereja, fácil e refrescante

Por Alexandra Corvo

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Circunflexo Invertido


Vinho é geografia. Não que se precise saber as capitais, os pontos cardeais e o índice demográfico dos países, como era a decoreba escolar. Mas, em caso de pânico, basta abrir o mapa e muitas respostas estarão lá. Usei o método quando fui provar os vinhos da Eslovênia (e da Croácia, que estarão na próxima coluna). Pensei: o carvalho esloveno tem sido bem elogiado e utilizado no mundo. Inúmeros produtores estão trocando os tonéis de carvalho americano pelo esloveno. E ponto.

Divulgação
Sauvignon Blanc, Rebula e Pinot Noir

Acabava nessa frase minha sabedoria sobre a região. Abri o mapa: bingo! Eis o país encostado nos Alpes, fazendo fronteira com Itália e Áustria, dividindo climas com parte da planície da Panônia e sob influência do gigantesco espelho d’água que é o Lago Neusiedler, onde fica o Burgenland (de onde saem bons tintos e os espetaculares botritizados austríacos, como os do Weingut Kracher). No caso dos vinhos provados, da região de Goriska Brda, as brisas mornas do Adriático e o estilo friulano, vizinho, são decisivos.
Também é importante para sua climatologia a faixa de fronteira que compartilha com a Styria, a chamada Toscana da Áustria. A Styria é famosa pelos Sauvignons Blancs elegantes, minerais e sóbrios (e pelo uso de madeira nesses vinhos, coisas do vinhateiro doidão Manfred Tement). Ou seja, nada de erudição estéril: a leitura do atlas diz o que esperar dos vinhos. Tudo resolvido via mapa. O Atlas Mundial do Vinho é o GPS do bebedor interessado.
Os três únicos produtos eslovenos disponíveis no Brasil até agora são da Simcic (tem um acento circunflexo invertido sobre os "cês" que não consegui reproduzir), o que limita a avaliação dos vinhos eslovenos ao extremo sudoeste do país. Mas a promessa é boa. E qual o Simcic de que mais gostei? Justamente um Sauvignon que passa por carvalho (tonéis de 500 litros).

* * * * Sauvignon Blanc Selekcija 2008
Simcic
Contido e sério no nariz, tem aroma verdoso e um pouco de sílex. Na boca é equilibrado, ótimo corpo, denso, elegante e surpreendente na sua mineralidade


* * * Pinot Noir 2008
Simcic
Tem tipicidade da casta, é delicado, mas com taninos um pouco marcados. Acidez perfeita. Muito fino

* * * Rebula 2009
Simcic
Nariz picante e muito cítrico, de grapefruit, casca seca. Boca muito fresca, ótima acidez, abre a sede

Por Luiz Horta